domingo, 26 de maio de 2013

Tempo de verão

Por que esperaria algo bom em um dia tão nublado e chuvoso? Nada de bom acontecia mais, já que os mesmos velhos fantasmas me perseguiam por meses, além da desconfiança para qualquer coisa nova.
Dizem por aí que o amor deixa sequelas horríveis se acabar, estão certos, amor errado só deixa a alma cheia de espinhos. Mas amor de novo?! Amor que nunca acaba, que está em todo lugar, que chegou e ficou, sem motivo, sem pedir espaço, se arranjou no espaço que lhe coube e logo ganhou o coração inteiro. Ganhou na música sobre raio de sol, nos detalhes, dia-a-dia, por que brigar? Se tudo pode ser tão mais fácil só com risadas.

Mas ninguém é assim, eu juro, de onde vem tanto amor que nunca existira antes? De onde vem tanto abraço e tanto beijo bom? Lugar que conforta e cheiro que já é tão familiar que passa a sensação de que estou em casa, em uma casa só minha, que eu inventei e arrumei do jeito que me faz mais feliz. 
Mania de edredom de um jeito, dormir de outro e sorrir por cada motivo bobo. Intimidade irritante essa que me faz pedir, não, por favor, por que fazer isso? É desnecessário. E logo depois sorrir mais. 
Por que ciúme? Amor é amor, tão doce que me lembra frio e aquele chocolate com nozes. Amor que me lembra tantas músicas e fins de tarde, me lembra noite e o ciúme sem motivo daquele abraço que veio de longe. 
Não é tão fácil assim se fazer indiferente de algo que fez diferente, que mudou a rotina sem fim, que colocou cores e raios de sol na manhã seguinte a noite chuvosa em que tudo começou. 
Tão eu, nós e noite de dezembro.
- Fica um pouco mais, ainda é cedo...

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