sábado, 27 de abril de 2013

Dias e noites


Hoje a noite, enquanto eu observava as estrelas, desejei tantas coisas boas. Pedi que cada brilho distante iluminasse os seus caminhos. A lua, que estava tão cheia, pedi a ela que emprestasse um pouco do brilho que ela também roubou. Pude ver cada pedra que você irá tropeçar, também senti toda a sua dor e sofrimento, minha vontade foi de roubá-lo. Não quero que nada de mal te atinja, mas não posso evitar, então espero que em cada dor você cresça, que em cada pedra que você possa tropeçar e cair, que se erga ainda mais forte.
Quis te esquecer ao pensar nisso, porque não posso suportar mais tanto sentimento comigo, porque está começando a doer. A doer e a me dar medo. Um medo horrível que eu sinto de me tornar dependente, de não conseguir me esquecer, achei melhor jogar tudo pro alto...
Não sei viver a dois, por mais que você tenha me ensinado isso durante esses dias, eu não quero mais aprender, não quero sofrer depois. Vamos, por favor, me entenda. Não quero te magoar, por mais que eu o faça ás vezes, por mais que eu vá fazer... É melhor do que mágoas muito maiores que possam vir.
Eu só sei ser livre, minha dependência momentânea é frustrante e meu amor é passageiro, nunca se prendendo a ninguém. Então não é amor? Que seja, pode ser paixão, desejo, vontade... Passa sempre, essa minha liberdade tem me feito tão mal, que eu gostaria de não ser mais assim. Como deixar de ser o que se é? Como se desprender da própria identidade? Crise. Acho que é isso. Pode ser falta que mistura com medo que mistura com vontade que mistura com saudade. Saudade que insiste em ficar aqui, que nunca vai embora e me obriga a tentar coloca-la em palavras, tais essas que nunca demonstram meus sentimentos, por mais que estejam carregadas deles.
Mas tudo ficou tão mais leve de suportar desde que te vi por aqui... Desde que suas palavras se tornaram minhas e sua música a minha preferida. Desde que soube de um amor que eu criei, esperar pelo amanhã não é algo mais tão frustrante, porque ele sempre vem cheio de surpresas e sabor doce, então por que me sinto incompleta? Deve ser a saudade. Falta de abraço. Beijo. Cheiro. Talvez insegurança. Vontade de te ver em todo lugar. Te ligar. Falar pra todo mundo de nós.
Mas existe nós? Não sei, o nós pode ser você e eu, junto com o sol, o mar e talvez essas rodovias que se misturam com música e sons dispersos
. Nós, você e eu, saudade, vontade, ciúme, desejo, paixão, quem sabe amor? Deixa estar...

terça-feira, 23 de abril de 2013

Sunshine

Um raio de sol, risos de nuvem branca de algodão, o cheiro do mar que ficou no nosso abraço, a preguiça, a maresia que me acompanhou voltando pra casa. Lembranças da chuva, o cair da tarde em uma rede de uma casinha qualquer, talvez uma rede laranja, conversas e músicas de fundo que foram a alegria momentânea de um dia vazio. A chuva que caia forte parou, porém as ondas do mar insistiram em quebrar forte, causando um barulho inconfundivelmente familiar. Céu escuro, imensidão invisível a frente, algumas pessoas que riam buscando qualquer coisa na areia. Celulares desligados, conversas e raios que cortavam e iluminavam o céu. 
Talvez fosse sábado ou domingo, a lembrança insiste em permanecer apenas em momentos que eu sorri, fechei os olhos e me vi em meio a uma multidão de rostos que buscavam se divertir, fugir do dia quente, praia cheia de gente querendo diversão, fugindo da monotonia de viver. Fechei os olhos de novo, insegura e buscando segurança nesse novo caminho que eu insisti em percorrer. Ainda relutante, quis ficar, não sair do lugar e nem te deixar escapar. Adiei, procurei algo pra se distrair, mas tive que te ver partir.
Hoje está frio, a lembrança dos dias quentes ainda estão tão nítidos, que eu posso fechar os olhos e ver claramente seu rosto tão perto do meu, enquanto me protegia de monstros submarinos que eu insistia em inventar, pra te ver sorrir, pra me alegrar, pra guardar tudo de tão bom que ficou, que me acompanhou e me encantou em você, em nós, durantes todos aqueles dias de música, sorrisos, sol, beijos, mar, abraços e poesia.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Cigarettes, music and you

Essa liberdade é o que me prende. Não poderia aceitar algo que me faz tão bem, eu não mereço, sendo essa garota tão geniosa e insatisfeita quando não fazem as minhas vontades. Essa voz mansa que acalma, esse carinho que me dá lugar, como entender isso vindo assim, de repente? Esse cheiro de cigarro que mistura com o seu perfume, quando eu insisto em roubá-los de você, depois gruda na minha roupa e não me faz esquecê-lo quando volto pra casa. Mas afinal, esquecer-se e lembrar-se do que? Se a presença é constante e o desejo também. 
Não sei mais diferenciar os dias, apenas os separo entre os que tenho você e os que não tenho. Eu tentei fugir, mas juro, não consegui. Uma força invisível tem me prendido por tanto tempo a algo que eu lutei pra esquecer. Hoje eu me vejo perdida em meio a essas brincadeiras, conversas longas e músicas que criam a nossa trilha sonora, tantas que já é impossível lembrar. Momentos feitos de música. Momentos feitos da pouca luz que entra pela janela. Momentos feitos do barulho da chuva que cai, misturados com a música e a sua respiração. Momentos feitos das lembranças que eu vou revirar no meu travesseiro. E sorrir ao lembrar o quanto eu gosto dos pequenos detalhes que nos criam. Esse avesso de sentimentos, essa verdade e a mentira que me envolveu, tal essa que eu continuo mantendo, tudo por medo do que pode ser a dois. Este que se recusou a me abandonar, que pertence só a mim, um medo invisível que você insiste em rouba-lo. Veja só, meu bem, você se ajustou em meio a tempestade, decidiu ficar e hoje... Talvez hoje me faça mais solta, organizada e eu até arriscaria dizer que me faz mais feliz.

sábado, 13 de abril de 2013

Todo o amor de Florence

Qual o limite da mente humana? Qual o extremo que ela pode chegar? Essas são questões que profissionais da área de Psicologia buscam responder com precisão, enquanto escritores e poetas se perdem em meio a fantasias e criatividade em relação a isso. Até onde você iria por amor e ciúme? Florence, personagem principal e narradora do livro "A menina que não sabia ler", de John Harding, foi longe demais.
O escritor britânico ultrapassa os limites do medo de uma simples garota, mostrando toda a crueldade que pode existir em um ser humano. Inicia o romance de forma sucinta: "É uma história curiosa a que tenho de contar, uma história de difícil absorção e entendimento, por isso é uma sorte que eu tenho as palavras para cumprir a minha tarefa.Tal maneira instiga o leitor e deixa curiosidade para prosseguir a leitura.
Florence é sedutora a sua forma, tem até um certo encantamento, envolvente ao contar o que viveu, mostra a obscura Blinthe House e seus moradores de um ponto de vista afetivo. Com um passado não relatado, foi criada pela governanta, já que o suposto tio nunca a visitou na mansão. Sua missão ao longo do livro é proteger o irmão mais novo, o pequeno Giles, chegando ao extremo da possessividade e loucura, passando a ver uma mulher em espelhos pela casa e acreditando que esta é um suposto demônio que aparece em Blinthe para acabar com a sua vida e levar Giles para longe.
"Eu não me mexi e assisti horrorizada. Vendo-me parada como uma estátua, ele começou a tentar se levantar. Caiu para frente, com o rosto no chão, e eu corri para ajudá-lo, pois pensei que estava quase morto, mas então seu corpo se contorceu e ele se ergueu sobre as mãos e os joelhos, como um cão, a cabeça pendendo entre os braços.
- Florence... -sua voz arranhou o ar e era como se alguém estivesse arranhando minha alma. -Florence..."
Florence é egoísta e irracional, jogando a culpa de todos os seus maus atos em um amor doentio, por ver sua única proteção apenas no irmão mais novo. Uma menina sem infância e sem afeto, com indícios de esquizofrenia e quase sozinha no mundo.
Até onde uma pessoa vai pelo bem próprio? Talvez Florence possa te responder isso.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Você deixou saudade, quero te ver outra vez

Eu não sei exatamente o que fazer, eu gostaria, mas não sei. Me encontro perdido nessa imensidão de nada. Ou de nada do que eu sou. Você chegou e ousou despertar sentimentos que eu estava guardando e até mesmo tentando esquecer, prendendo no meu coração que eu não pretendia mais entregar a ninguém por tempo suficiente para que eu pudesse me recuperar por completo. Mas a verdade é que eu não sei o que é estar recuperado depois de tantos amores e desamores ao longo dessa estrada. Agora eu estou perdido buscando essa poesia que nunca foi escrita e nem lida, essa poesia indecifrável que é você. Tentando entender esse seu olhar que me domina a cada vez que o esquece sobre os meus, em um conflito de amor incontido e saudade. Essa saudade agressiva, cheia de lágrimas e desejos que não podem ser saciados a todo instante. Apesar de todo o furacão que é você, a paz está apenas no seu olhar e no seu abraço, tente me entender, é só você que me faz vivo de novo. É só a nossa sintonia que te faz perfeita pra mim.
Mas eu sinto que a minha poesia foi roubada, algo na minha maneira de agir, de ser e de sonhar mudou, foi tirada de mim de uma maneira que eu ainda não consegui recuperar. Tento todos os dias, mas você luta pra que isso não aconteça. Será mesmo verdade que amor e ódio andam lado a lado? Esse seu jeito só me faz acreditar que sim, contrariando todo o romantismo que um dia aqui existiu. Como pode existir amor em meio a tempestade? E paz em meio aos gritos? Eu sei que em você existe tudo pra me recuperar, me deixar completo, mas não... Não hoje. 

Vem, muda, me muda, eu já estou cansado de esperar por tantos sorrisos que eu quero de você, com você.


Obs.: Texto a pedidos da minha metade poética masculina.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Amor maior

Pouca  coisas andam fazendo sentido na minha vida, porém você é o que mais faz e dá sentido a tudo desde que chegou. Não sei se o mundo é bom, mas ele ficou melhor desde que você chegou e perguntou: Tem lugar pra mim? Saudade desse olhinhos tão atentos que carregam toda a paz do mundo. Meu anjo Heitor.